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sábado, 28 março 2020
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49 anos da morte de Martin Luther King

Foto: Reprodução/Stephen Somerstein
Foto: Reprodução/Stephen Somerstein

Ele tinha um sonho. Sonhava ver brancos e negros sentados à mesa da fraternidade. Sonhava ver seus filhos julgados pelo caráter e não pela cor da pele. Sonhava ver mãos de meninos e meninas negras unidas às mãos de meninos e meninas brancas. Sonhava ver os estados que transpiram com o calor de opressão transformados em oásis de liberdade e justiça. Era mesmo um homem de fé.

Nasceu em 15 de janeiro de 1929, em Atlanta. Seus pais eram pastores. Seus avós também. Talvez pela fé tenha aprendido a sonhar. Escutava o tinir do sino da liberdade, de qualquer lado da montanha. Quando cresceu, quis ver de onde vinha o som: era um convite ao apelo de cada negro escravizado, segregado, oprimido. Entendeu o chamado. Se tornou sociólogo. Se tornou teólogo. Se tornou pastor. Se tornou Martin Luther King Jr.

Em 1955, surgiu como militante. Foi um dos líderes do movimento de boicote a empresas de ônibus como forma de pressão sobre o governo. Isso porque, na época, a política de segregação tornava discriminatória a relação com o negro no transporte público dos Estados Unidos. O pastor da Igreja Batista bradava contra o racismo, com base no amor e na paz.

Recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1964. Era mais que um sonhador: levantava a bandeira da paz, independente da cor. Mesmo assim era referência de resistência contra o racismo nos EUA. Conduzia toda ala pacifista da luta contra as políticas de segregação, com paciência e respeito. Lutava pela equidade de direitos. Bradava pelo fim da violência. Rogava a liberdade ao povo negro. Sonhava ver, no mundo, o mandamento do amor ao próximo.

Queria cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Talvez não soubesse, mas era ele a esperança de um povo oprimido. Foi Martin Luther King Jr quem defendeu que a verdadeira paz não é a falta de tensão, mas a presença de justiça. Foi um líder verdadeiro: incentivou o brado do povo negro. Afinal, o que mais preocupa não é o grito dos corruptos, mas o silêncio dos bons. Portanto, apesar de pacífico, jamais permaneceu calado.

Não era a personificação da paz. Sabia lutar com equilíbrio. Entendia o amor como a única forma de transformar em amigo, um inimigo. Acreditava na combinação da dureza da serpente com a suavidade da pomba. Em 1967, o militante criticou a participação de seu país de origem na Guerra do Vietnã. Bastou. Ainda em 1968, organizou a Campanha dos Pobres, na luta por justiça social e econômica. Mas no jogo de poder, a paz não tem vez.

Devido ao seu brado, poderosos que defendiam segregação racial se opuseram a Martin Luther King. Logo quem pedia paz recebeu guerra. O pastor recebia constantes ameaças de morte. Até que, um dia, deixaram de ser apenas ameaças. Na manhã de 4 de abril de 1968, antes de marchar contra o racismo mais uma vez, Martin Luther King foi assassinado num quarto de hotel. O pacificador se foi, mas sua paz atravessou os EUA: os quatro cantos do mundo honram sua história.

De todo lugar, a fé permanece: um dia ‘poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livres’. O racismo permanece vivo. Mais vivo que ele, permanece a fé que Martin compartilhou com o mundo. Pacífica ou não, a luta continua!

 

 

 

 

 

 

Amanda Sthephaniehttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Preta. Pobre. Poeta. Periférica. Prounista. Filha de Oxum, tem paixão pela palavra e estuda o último ano de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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