Cinema

Você atribui raças aos personagens de desenho animado?

Pergunta diferente essa do título, não? Não. De acordo com matéria veiculada pela plataforma VICE, escrita por Sarah Hagi, muita gente consegue atribuir raça aos personagens dos desenhos animados, conforme seus comportamentos, suas características físicas ou suas histórias. É claro que, para afirmar isso tudo, uma grande análise semiótica seria necessária, porque se considera que muitas personagens – desde as animações até os livros – são representações de outras ou até mesmo reproduções. É o que acontece, por exemplo, no cinema, quando a jornada do herói se faz presente em (quase) todos os filmes da Marvel ou quando Lady Gaga utiliza elementos antigos em seus clipes. No entanto, além disso, a identificação com os personagens pode conferir a ele as características que se quer dar.

A autora do texto, Sarah Hagi, declara não conhecer uma pessoa negra que não atribua raça para personagens não humanos e diz que, após comentar sobre o assunto no Twitter, recebeu muitas mensagens, inclusive de um comediante chamado Jaboukie Young-White, dizendo que tanto Bob Esponja quando Piccolo, do Dragonball Z, são negros. Segundo ele, ainda, Piccolo tem uma história bastante negra: “Seu planeta natal, Namek, foi destruído por colonizadores; ele sempre se sentia meio de fora entre seus amigos não namekianos; ele era filho de pai solteiro. Ele também estava sempre fazendo trabalho emocional por pouca recompensa.”

A VICE entrevistou, então, a professora Lisa Nakamura, da Universidade de Michigan, especialista assuntos raciais na internet, que disse ser possível a identificação entre pessoas negras e personagens de desenho animado e que, talvez, essa referência cause espanto à população branca porque “brancos nunca tiveram que se imaginar sendo estrelas de filmes e programas, porque sempre estiveram ali”. Será mesmo que é possível criar uma característica racial a um desenho animado? Dá medo de que esses atributos sejam instaurados de acordo, por exemplo, com os estereótipos a que a comunidade negra tem lidado há muito tempo: de mulheres barraqueiras, homens fortes e corajosos, corpos sensuais, histórias tristes e de muita pobreza.

De qualquer maneira, Nakamura diz ainda que essa identificação é um ato de resistência, porque cria um elo entre estar onde não se deve, naturalmente, estar. Como se um espaço antes não alcançado agora fosse conquistado por uma população que, em geral, vive às margens dos direitos ou das aparições. Os personagens citados no texto como negros são Pernalonga, Taz – O Diabo da Tasmânia, Piu-Piu, Pateta, Bob Esponja, Jerry – do Tom e Jerry, Pica-Pau, Pantera Cor-de-Rosa, Luigi – do Mario, além de algumas das Tartarugas Ninjas e alguns outros. E você, o que acha? Realmente atribuímos raça aos personagens dos desenhos animados?

 

 

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