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Rap de Bro Mc’s conecta realidades marginalizadas

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Foto: Reprodução/ La rete

Por que o rap ressoa tão fortemente nos jovens de periferias de todo mundo? Será a possibilidade do protesto em arte? Será poder falar de si através de uma estética marginalizada e não reconhecida nos espaços de poder? Será a união da letra com a batida de uma forma contundente que reforça a intenção de gritar contra o opressor, apontar o dedo na cara e enfiar o dedo na ferida? O que nos une quando falamos no rap do mundo inteiro? Não sei ao certo essas respostas, mas quando ouvi o som do grupo Bro Mc’s, fiquei emocionada com as conexões de sentido que o rap possibilita.

Ao assistir um clipe do grupo, aqueles que vivem em suas caixinhas e tendem a não acompanhar as transformações que o mundo vive podem dizer que os índios Guarani-Kaiowa estão se aculturando, usando elementos da cultura hip-hop inclusive na vestimenta. A isso eu respondo: acordem! O que existe hoje no mundo é uma grande intensidade de fluxos de elementos culturais que não podem mais ser delimitados de forma estanque. Eles se apropriam desses elementos e ressignificam a seu modo, de acordo com suas próprias vivências, transformando aqueles elementos num outro resultado que tenha sentido para eles.

O sentido dado ao rap do grupo indígena é também um sentido de protesto, como o rap das periferias de São Paulo, por exemplo. Mas sua letra fala sobre suas próprias vivências, sobre um branco que ri enquanto eles matam uns aos outros. Sua letra fala sobre o medo que alguém sente quando ele passa perto da pessoa, ou sobre a sensação de marginalização que sente ao assistir televisão.

Uma vez, quando fazia cursinho pré-vestibular uma menina me perguntou que música eu gostava de ouvir. Eu respondi que gostava de rap. Ela disse que não acreditava que alguém podia gostar desse tipo de música, que era muito violenta. “Oi? Em que mundo essa menina vive?”, eu pensei. Pois é, era uma patricinha de Praia Grande que se sentia mal ao ouvir rap porque entendia seu lugar de privilégio e sua contribuição para a opressão da maioria desprivilegiada. É isso, o rap incomoda porque a denúncia está na sua essência. O rap grita aos 4 ventos a necessidade de mudança, de distribuição maior das riquezas e do respeito entre os seres. Por isso tantas mudanças dentro do próprio universo do rap nos últimos anos com rappers mulheres cis, mulheres trans, mulheres plus size, gays, lésbicas, travestis e… indígenas sim!

O grupo Bro Mc’s tem quase 10 anos de carreira e merece ser mais reconhecido. De Dourados (MS), os integrantes Bruno Veron, Kelvin Peixoto, Clemersom Batista e Charlie Peixoto são todos da Aldeia Jaguapirú Bororó. O grupo deve lançar ainda este ano seu segundo álbum. Que eles continuem a bradar seu canto em forma de rima e que possamos ser sensíveis à luta contra a opressão e genocídio que atinge nossos irmãos. Fiquem com o clipe dessa galera que é muito firmeza!

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