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Rafaela Silva: a luta contra o racismo que afeta 54% dos brasileiros

O Comitê Olímpico Internacional (COI), aliado à Organização das Nações Unidas e outras entidades internacionais, celebra o Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial, destacando a história da judoca mais amada do Brasil, Rafaela Silva, como uma das maiores referências contra o racismo, dada sua história de superação: após ser vítima de comentários racistas ao fim de uma performance em Londres-2012, a atleta negra e periférica se consagrou campeã mundial de judô em 2003 e, recentemente, dona do ouro nos Jogos do Rio-2016.

Foto: Reprodução/Pedro Kirilos

Foto: Reprodução/Pedro Kirilos

Nascida na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a esportista aprendeu a ser forte, tanto no tatame quanto fora dele. No entanto, o episódio de discriminação racial que viveu foi capaz de motivar um afastamento. Nem mesmo Rafaela, acostumada a receber golpes e ensinada a se defender deles, seguiu sua vida normalmente quando teve sua dignidade ferida: foram quatro meses sem vestir o quimono.

Assim como o preconceito racial afetou a vida da judoca, afeta a vida de 54% dos brasileiros. O reflexo do período escravocrata no Brasil se estabelece de forma estrutural e institucional, desde a ofensa direta até a exclusão na universidade. Por isso, não basta direcionar à atleta a referência como quem vence o racismo. Ninguém vence a opressão racial: a conquista de medalhas em nada altera a intolerância das pessoas, talvez as faça omitirem – e nem sempre. Assim como Rafa sofreu, milhares de brasileiros sofrem, sem ouro, nem prata, nem bronze.

É necessário mais. Não basta, uma vez ao ano, homenagear uma mulher preta e periférica que conquistou seu espaço no esporte. É preciso lembrar que muitos outros negros e negras permanecem excluídos dos espaços que gostariam de ocupar. A luta pela eliminação da discriminação racial deve ser pauta durante todo o ano, apoiada em políticas públicas e de inserção dessa parcela historicamente marginalizada da população. Mais do que apontar o sucesso de um negro, é crucial identificar a ausência de oportunidades a que os outros são submetidos e mudar essa realidade. À Rafaela Silva, nossa gratidão e admiração. Que não sejamos afastados de nossas trajetórias por quem se mune de preconceitos.

Por uma vida internacional de combate ao racismo!

 

 

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