Notícia

Racismo em condenação de babalorixá por perturbação do sossego alheio

Foto: Reprodução/Paulo Paiva/DP

Foto: Reprodução/Paulo Paiva/DP

O Juizado Especial Criminal de Olinda condenou a 15 dias de prisão Edson de Araújo Nunes, o Pai Edson de Omolu, por perturbação do sossego alheio. A decisão foi comutada em prestação de atendimento à comunidade, mas ainda assim o babalorixá entende a ação como intolerância religiosa. Acionado judicialmente em 2016 pelo seu vizinho, por manter atividades na Tenda de Umbanda e Caridade Caboclo Flecheiro, em Olinda, o umbandista não é o único a repudiar a ação da justiça: membros e entidades de religiões africanas também repudiam a decisão.

De acordo com o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, o deputado Isaltino Nascimento (PSB) compartilha da opinião de que a condenação judicial do sacerdote da Umbanda revela o racismo das instituições públicas contra as religiões de matriz africana: “O único crime cometido nesse caso é o preconceito religioso do Poder Judiciário e do Ministério Público em proibir que um babalorixá possa usar, na sua casa, o toque dos tambores sagrados”, declarou o político.

Ao Diário de Pernambuco, Pai Edson revelou que, por várias vezes, em 2015, o autor da denúncia teria impedido a realização dos cultos no terreiro e, o babalorixá teria, ainda, prestado queixa contra o vizinho por racismo religioso e ultraje ao culto. “Estou sendo vítima de um preconceito explícito por parte deste vizinho. Esse processo abre precedentes para outros casos, prejudicando a prática religiosa. Estou sendo alvo de perseguição e intolerância por parte de uma pessoa isolada. Estou sereno, tranquilo na firmeza de Omolu que é senhor do meu ori. Porém, estou disposto a seguir na luta”, disse.

Na comprovação do ato preconceituosos, autoridades do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) teriam visitado o terreiro. Por fim, constataram que o culto começava cedo e terminava cedo, de maneira que o som produzido pelos atabaques, as palmas e os pontos cantados em nada incomodavam o sossego da vizinhança. Com relação à acusação existem, ainda, especificidades sobre a legislação de barulho para cultos religiosos e, nem mesmo ancorado nesse argumento, Pai Edson foi absolvido. “Custo a crer em atitude semelhante contra um padre que esteja simplesmente praticando sua religião”, afirmou Isaltino Nascimento. Infelizmente, apesar dos parágrafos que asseguram a realização da fé afro-brasileira, o racismo institucional se estabelece de forma singela, como aconteceu com Pai Edson de Omolu.

 

 

 

Compartilhe esta notícia
Load More Related Articles
Load More By Amanda Sthephanie
Load More In Notícia

Facebook Comments

deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

Além disso, verifique

Aplicativo resgata alfabeto angolano com jogos e brincadeiras

Desenvolvido por educadores que atuam em escolas municipais ...

Facebook

Newsletter