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Racismo contra ativista de turbante em festa de formatura

Representante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Dandara Tonantzin Castro foi agredida no último sábado (23), durante a festa de formatura de Engenharia Civil da Universidade Federal de Uberlância (UFU). A militante, que também é diretora da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG), teve o turbante arrancado, sofreu xingamentos e ameaças, enquanto atiravam cerveja em seu corpo. Diante do acontecido Dandara, que foi a última a sair do evento com medo de novas agressões, desabafou em suas redes sociais através de um texto intitulado “A nossa presença incomoda”.

Foto: Reprodução/Facebook

Foto: Reprodução/Facebook

E incomoda mesmo. Dandara, que já tem nome de luta, conta que participava da formatura de amigos e, no baile, quando foi de turbante sentiu olhares incomodados com sua presença e suas vestes. Quase no fim da festa, já do lado de fora do estabelecimento onde o evento acontecia, um homem puxou seu turbante não uma vez. A militante reclamou, se afastou e, de repente, quando passou novamente por esse homem, ele repetiu o ato. Mais uma vez, Dandara reclamou. No entanto, nesse momento foi rodeada por mais agressores que, juntos, a acuaram enquanto a cegavam com a cerveja que dispensavam do alto.

Os amigos da mulher negra logo chamaram a segurança do local para retirar os agressores. Dandara dá ênfase ao fato de que todos seguranças eram negros e entenderam a situação como racismo. Segundo a publicação, as namoradas dos envolvidos foram para cima da vítima, questionando a presença dela: afinal, se os racistas tinham saído por se envolver em briga, por que é que a mulher permanecia ali? Absurdo. Mesmo quando foi ao banheiro, Dandara foi ameaçada indiretamente. Na postagem, a militante lembra o quanto o racismo é cruel e do quanto o agressor segue normalmente sua vida: “Minhas lágrimas estão molhando muito a tela do celular, só de pensar que estes e tantos outros passaram impunes”.

É triste noticiar casos como o que Dandara sofreu. O pior é saber que, todos os dias, diferentes formas de racismo machucam a população negra, seja ele velado ou escancarado. A verdade é que a luta pelos espaços continua, mesmo que a publicidade insira negros ou a jornalista do tempo do maior jornal brasileiro seja negra. Porque a maior coerção racial, no Brasil, se dá quando menos se espera para que, diferente da militante, a vítima não exponha o caso e o país permaneça conhecido como o “do futuro” devido às relações inter-raciais estabelecidas aqui.

 

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