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Protagonista do filme “Preciosa” sofre racismo em loja

A notícia é de um episódio em específico, mas mais pra frente verão como esta é só uma pequena parte de um problema muito maior. A atriz Gabourey Sidibe precisava de óculos escuros e como tinha gostado de um que seu amigo tem da marca Chanel, resolveu ir à uma loja da marca. Pegou um táxi e foi até a loja fazer a compra, totalmente concentrada no seu objetivo de adquirir o produto e, como todo consumidor, esperando uma experiência confortável que traria sensação de bem estar por ter enfim uns óculos que gostasse.

Acontece que a experiência não foi como esperava. Era no período da tarde e com a loja vazia, a vendedora se aproximou da atriz a olhando de cima a baixo. Gabourey então pergunta se poderia ver os óculos que eles tinham, a vendedora responde que não tem armações e a indica para uma loja do outro lado da rua, que revendia Chanel com descontos. A atriz insiste que quer ver os óculos da Chanel, por isso foi até aquela loja. A vendedora repete a localização da outra loja e aponta insistindo na insinuação de que ali não era o lugar dela. “Eu estava tentando comprar óculos, e ela tentava ter uma interação comigo o mais rápido possível. Eu sabia o que ela estava fazendo. Ela decidiu em uma olhada que eu não tinha dinheiro para gastar” conta a atriz com raiva da situação. Por fim, outros funcionários reconheceram a atriz e alertaram aquela vendedora. Então assim, ela começou a tratá-la como uma cliente.

Gabourey Sidibe interpretou a personagem Preciosa, protagonista que deu nome ao filme lançado em 2009. Sidbe, que antes do filme não era atriz, ganhou indicações de melhor atriz no Oscar, no Globo de Ouro, no Prêmio BAFTA, no Prêmio Independent Spirit e no MTV Movie Awards. Posteriormente trabalhou em 8 filmes em duas séries – “Empire” e “American Horror History” – ambas onde ela ainda trabalha. A atriz conta que não importa a sua trajetória artística, seu dinheiro ou como esteja vestida, ela sempre é confundida com uma ladra ou pobre por causa da cor da sua pele. Relata que frequentemente as pessoas a julgam como alguém que com certeza não está ali para consumir um produto, porque acreditam que a mulher negra e gorda não tem dinheiro para comprar.

Após resolver contar esta história a uma revista a marca francesa emitiu um pedido de desculpas: “A Chanel expressa nosso pesar sincero pela experiência de serviço ao cliente boutique que Sidibe mencionou. Lamentamos por ela ter se sentido indesejada e ofendida. Levamos suas palavras muito a sério e imediatamente investigamos para entender o que aconteceu, sabendo que isso não está absolutamente de acordo com os altos padrões que a Chanel deseja fornecer aos nossos clientes. Estamos fortemente empenhados em fornecer a qualquer pessoa que venha em nossas boutiques o melhor serviço. Esperamos que no futuro a Sra. Sidibe opte por voltar a uma boutique Chanel e experimentar a verdadeira experiência do cliente Chanel.” A atriz não se manifestou em relação a esta declaração da Chanel, mas acredito que um pedido de desculpas não seja o suficiente. Apuraram o caso e treinaram seus funcionários a não serem racistas? Acredito que não. Racismo se aprende e se desaprende se a pessoa tiver um pouco mais de consciência e conhecimento e estiver disposta a rever seus preconceitos. Mas se nada for feito, serão essas pessoas que continuarão sendo racistas e negros continuarão sendo humilhados ao irem fazer suas compras.

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