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Preta Rara reage à assédio de taxista

Quantas violações uma mulher pode sofrer? Inúmeras. Enquanto voltava para Santos, depois de um show em São Paulo, a cantora Joyce Santos, conhecida como Preta Rara, foi assediada por um taxista. Era madrugada da última quarta-feira (26), quando frente ao ataque do homem que gritava, de seu carro, a artista reagiu: Joyce não se conteve e se defendeu, inclusive fisicamente, quando conta ter golpeado socos e chutes contra o agressor.

Enquanto tudo acontecia, num ponto de ônibus, dois homens assistiam a briga como se estivessem frente à televisão, vendo uma cena de novela. Eles nada fizeram, aliás, segundo conta a cantora, riram da situação. Infelizmente, no caminho para casa, depois que o taxista foi embora, Preta Rara sentiu culpa pela roupa que usava: um cropped rosa e uma fenda.

Look para o show de ontem Top @wendiwelove Saia: @lojas_torratorra #PretaRara #lookdapretarara #lookpretarara

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É esse tipo de violação contra a dignidade da mulher que acontece todos os dias, em diferentes lugares do mundo. Não se pode estimular a agressão, mas a verdade é que, dia após dia, mulheres sofrem as mais diversas violências caladas. Dessa vez, não. Muita força, Preta Rara, porque esse nome não é à toa. Vamos lutar todas juntas!

Confira o relato da artista:

Ontem tive show em SP, resolvi não ficar por lá pq tenho trampo hj em Santos. 

Cheguei na província(Santos/SP) as 1:30 da madruga morta de fome mesmo com medo da insegurança parei em uma lanchonete pra comer algo.
Na hora de ir embora eu estava a duas quadras de casa, vestida de cropped rosa e saia preta com uma fenda maravilhosa.
Foi aí que começou meu terror, um taxista ficou businando e falando pra eu entrar no carro dele que a corrida sairia de graça.
Eu fico muito nervosa com esse tipo de abordagem e já comecei a xingar ele.
O babaca saiu do carro e começou a me xingar dizendo:
Você é gorda, ninguém te quer e ainda fica se sentindo a gostosa com esse cabelo ridículo.
Aí eu não me segurei, fui pra cima dele dei um soco, cuspi, chutei e tentei me defender como eu podia.
Os dois machos que estavam no ponto de ônibus não me ajudaram, ficaram rindo de mim.
Meu lanche e suco caiu no chão o babaca saiu vazado e eu voltei chorando muito pra casa e não sei pq mas, veio a porra do sentimento de culpa tipo: Pq eu não coloquei uma calça, de saia curta a essa hora da madrugada, né Joyce.
Mas, hj acabei de acordar livre da merda da culpa, pq ser mulher em um país machista que cultua a cultura do estupro é esperar que isso aconteça sempre, independente dá roupa que a mulher esteja usando.
Existo e Resisto
#PretaRara

Depois da repercussão do caso, Joyce agradeceu as mensagens de solidariedade que recebeu e explicou que, por estar sozinha e com a mão machucada depois de bater no taxista, não conseguiu anotar a placa. Afinal, as únicas pessoas que podiam anotar a placa, naquele momento, eram os homens que estavam no ponto de ônibus, caçoando do acontecido. A artista ainda tranquilizou fãs e amigos: “Acordei com a mão inchada mas, fiz compressa de gelo e tô melhor. Gratidão!”

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