Esporte

O racismo pelos olhos da maior tenista do mundo

 

Serena Williams e Common em entrevista para a ESPN

Serena Williams e Common em entrevista para o programa The Undefeated In-Depth da ESPN. Foto: Demetrius Freeman/The Undefeated

Serena Williams é uma máquina de recordes ambulante. Tem 35 anos de idade e 21 de carreira. 38 títulos em torneios de Grand Slam, sendo 22 deles conquistados sozinha, tornando-se a segunda maior campeã da história. Mais de US$ 72 milhões de prêmios oficiais acumulados na carreira, sendo ela a única mulher no mundo a conseguir tal feito. 4 medalhas de ouro olímpicas. 290 semanas como n.° 1 do mundo. Todos esses dados mostram que claramente ela pode ser considerada a melhor tenista que o mundo já viu. Entretanto, a mídia esportiva americana raramente a coloca nessa posição.

Em entrevista feita pelo rapper Common para a ESPN, a brilhante atleta dividiu com o cantor suas glórias e derrotas dentro do tênis, já que para além dos desafios físicos do esporte ela também precisa lidar com a questão de ser uma mulher negra bem sucedida numa sociedade que atribui a negros a condição de inferioridade. Em vários momentos da carreira, Serena foi confrontada com o fato de ser uma mulher alta, forte e negra a ponto de ela mesma duvidar de sua capacidade física e de seu próprio corpo, o corpo que a levou onde está agora.

“Houve um momento em que me senti incrivelmente desconfortável em meu corpo por me achar forte demais”, disse a estrela. Das falas de Serena, a impressão que se tem é que mesmo provando todas as suas capacidades, a mídia nunca a vê como sendo boa suficiente. Ela prossegue dizendo: “Eu tive que me dar um segundo para repensar quem é que diz que eu sou forte demais? Foi esse corpo que possibilitou que eu me tornasse a melhor jogadora que posso ser e não vou me censurar por isso”. A crítica esportiva que a julga por tudo que ela é e pelo que ela representa não consegue reconhecer a potência de seu jogo.

Na entrevista, Serena e Common discutiram sobre gênero, racismo e esporte

Na entrevista, Serena e Common discutiram sobre gênero, racismo e esporte. Foto: Demetrius Freeman/The Undefeated

Durante a entrevista Serena também fala sobre os críticos se incomodarem com a sua confiança nas quadras e também fora delas. Olhando por outro lado, usar sua voz de maneira ativa nas lutas antirracistas em seu país pode também influenciar o modo como americanos lidam com suas vitórias. Ela se colocou de frente junto ao movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos e acha importante que pessoas em posições de visibilidade como a dela falem de questões como as mortes de jovens negros por policiais publicamente: “Isso me machuca porque é o meu povo morrendo, todos que morrem se parecem comigo. Quem pode dizer que eu não serei a próxima? Eu quero usar minha voz para influenciar outras pessoas a mudar”, diz a atleta.

O que poderia ser mais afrontoso a uma sociedade racista uma mulher que dribla todas as dificuldades e se consolida como a maior na história? O mais bacana de todo o sucesso é ver que Serena sabe da importância de seu papel enquanto jogadora, abraçando todos os signos que lhe são atribuídos de maneira negativa e transformando tudo isso no combustível da sua grandeza. Ainda que tenha admitido nunca ter pensado sobre ser uma referência, só de estar lá, vencendo, ela abre portas para que outros atletas negros façam o mesmo.

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