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Libertação de Nelson Mandela, o Madiba

Foto: Reprodução/DW AP

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Condenado: prisão perpétua. Era dado o veredito. O réu, no entanto, era inocente. Se culpa lhe cabia, era por querer mudança. Bradava. Queria fortes os filhos da Mãe África. Rogava fraternidade. Queria respeito. Não aceitava sangue negro derramado. Queria justiça.

Tinha atitude para transformar. A atitude, sim, era capaz de trazer justiça e liberdade. Então ecoaria a voz do povo negro, em sua força e capacidade de luta. Seriam todos rebeldes, seriam todos guerreiros. Resistência era a palavra. Não se vencia pela passividade. Apenas pela resistência.

Por pensar assim, recebeu pena. Não existiria maior: prisão perpétua a quem sonha liberdade a um povo oprimido. Rolihlahla, Madiba, Tata, Khulu, Nelson, Mandela. Filho de chefe da tribo Thembu, do povo Xhosa. Lutou contra o Apartheid. Era um regime de segregação racial, imposto pelo Partido Nacional, de homens brancos de ascendência germânica. De prisão em prisão, Madiba era acusado de traição. No fundo era homem pacífico. Só reagia ao sistema que excluía seus irmãos. Fez parte do Congresso Nacional Africano, banido pelo governo. Depois do massacre que matou 70 negros, fundou o Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação).

Pouco tempo depois, após muitas prisões temporárias, Nelson Mandela foi julgado e condenado. Prisão perpétua sob acusação de sabotagem e conspiração para apoio durante possível invasão da África do Sul. Se assumiu culpado para uma das acusações. Sabotar esse sistema era a cura para os negros. Tata era corajoso. Sobre a outra imputação, tinha apenas saído do país em busca de apoio financeiro.

Prisão de Robben Island, prisão de alta segurança Pollsmoor. Foram algumas das grades que o prenderam. Enquanto isso, o povo de Khulu se tornava cada dia mais forte. A guerra cada vez mais violenta. Demorou. Foram quase 30 anos lembrando que era preciso resistir. Em 1990, o sonho da liberdade se fez real: Nelson Mandela foi liberto. Leis racistas foram revogadas. A maioria branca ainda queria supremacia. Mas Madiba foi eleito presidente da África do Sul. Recebeu o Nobel da Paz.

Trouxe um pouco mais de paz ao seu povo. Sonhou que todos se levantassem, se compreendessem e vivessem como irmãos. Seu sonho infelizmente ainda não é, de todo, concreto. É a liberdade de quem tanto tempo ficou preso que mantém acesa a nossa escuridão. Porque, sim, é nossa luz que nos amedronta. É preciso deixar a própria luz brilhar e permitir às outras pessoas que façam o mesmo. Assim, nos deixou sua luz. Dia após dia, a nossa se encontra nele e em seu sonho.

 

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