Semana da Mulher

Leci Brandão: compôs samba, cantou política, dançou diversidade

Foto: Reprodução

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Sempre agradeceu o dom de batucar. Compôs samba. Cantou política. Dançou diversidade. Nascida na Madureira e criada na Vila Isabel, do seio de uma família pobre, foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira. Desde cedo trabalhou: DATAMEC, TELERJ, faculdade GAMA FILHO.

Queria mesmo ouvir gente pedindo bis. Na década de 70, um crítico musical descobriu o talento. Leci Brandão, que já doava sua voz ao público no Teatro Opinião, foi convidada a gravar um disco. Gravou seu primeiro compacto simples. Pouco depois, o LP que lhe renderia prêmios da crítica. Escutou no rádio sua canção tocar.

Fez seu sonho virar profissão: mais de 30 anos de brado. Sua voz ecoava nas canções com letras sociais que quase nunca eram aceitas por gravadoras. O brado da mulher negra era pelas minorias. “Cantora das comunidades”, Leci sempre compôs política com transparência e paixão. Carregando o nome e a bênção da mãe, Dona Lecy de Assumpção Brandão, a artista conquistou não só os ouvidos, mas o coração do povo.

Foi convidada por um de seus ídolos, Martinho da Vila, a participar do show “Seis e meia”, no Teatro João Caetano, com quem mais tarde também cantou em Paris. Teve sua música como trilha de uma novela global, foi finalista do festival MPB 80, participou do projeto Pixinguinha, representou o Brasil no World Popular Song Festival, cantou na Dinamarca, entrou para o International Jazz Montmartre, fez ecoar sua voz também na África e em Cuba.

Dessas a outras experiências, em todas teve proteção. Iansã, sua mãe, recebeu uma homenagem com o LP “Dignidade”. Mais tarde, recebeu prêmios pela verdade de sua música. Quis verdade também em outras áreas. A cantora negra que homenageou, em seu décimo-quarto trabalho, o líder Zumbi dos Palmares e outros cidadãos negros do Brasil, encontrou arte também na atuação. Interpretou uma líder de resistência em ‘Xica da Silva’.

A primeira mulher a produzir música para a Rede Globo, em 2001, foi reconhecida pelo Dia Internacional contra o Racismo. Mais tarde, se tornou Conselheira do CODIM (Cons. Dos Direitos da Mulher – Ministério da Justiça) e, de tanto cantar as minorias, lançou música num presídio. Seu brado sobre as questões de raça lhe rendeu a posse como Conselheira do SEPPIR e, mais tarde, a cantora representou a Sociedade Civil Brasileira na 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Desde então, passou a emprestar sua voz à militância. Leci Brandão é resistência no samba, na política e na diversidade. 

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