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Éramos uma e éramos trezentas

Imagem: Reprodução/Estrelas Além do Tempo

Imagem: Reprodução/Estrelas Além do Tempo

Meus cabelos de algodão estampavam suas cabeças. Meus cabelos de lã coroavam suas mentes. Meus cabelos lisos escudavam suas espadilhas. Meus cabelos de tecido protegiam seus oris. Cacheadas. Trançadas. Lisas. Turbantadas. A cor da minha pele também pintava as suas. Todas eram eu. 

Eram trezentas e três histórias. De quem assistia e de quem era assistida. Tanto de assistir quanto de assistência. Afinal, ninguém pode manifestar mais força do que quem também precisa dela. Era como ir além das estrelas acompanhada de quem tem muita história para contar. Era como ouvir o enredo de uma escola de samba depois de desfilar na avenida. Era sentir o coração palpitar. Era autorreconhecimento. 

“Aqui ninguém está sozinha”. Com essa frase uma empoderada foi recebida ao afirmar ter ido sozinha. Logo, foi acolhida por um lindo grupo. Sorrir para uma preta nunca foi tão fácil. Se encontrar na outra nunca foi tão lindo. Era emocionante de ver. Os olhos lacrimejavam em pensar na alegria dos nossos ancestrais se nos vissem assim. Talvez vejam. Se veem, então se orgulham.

Imagem: Reprodução/Estrelas Além do Tempo

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Três histórias, conhecemos. Katherine Johnson, Dorothy Vaughn, Mary Jackson. São essas as negras empoderadas que nos reuniram. Em coro, vibramos suas conquistas. Em choro, lamentamos suas dificuldades. As três mulheres da NASA nos ensinaram muito. Principalmente, que se uma de nós consegue, então o triunfo vale para todas. 

Estrelas além do tempo era o nome do filme. Uma estrela que tem muito tempo, quase 90 anos, segurou nossos braços. Quem viu dona Jenny sabe o quanto o coração bateu mais forte. A matriarca, avó de 13 netos, 33 bisnetos e 2 tataranetos, nos acolheu em seus braços com o carinho de uma preta velha. Nada poderia ser mais fortalecedor do que uma senhora acompanhando as negras empoderadas de sua família, que tiveram a maior inspiração possível. 

A esperança brotou em nosso coração. Reconhecemos, nas outras, nossa força: no brado de cada poetiza, se fez ouvir a nossa voz; em cada um dos nove nós da abayomi, sentimos um nó na garganta; na delícia de cada cupcake feito com amor, lembramos o doce respeito que temos umas pelas outras. No sorriso de quem proporcionou isso tudo e nas lágrimas que de seus olhos caíram ao final, entendemos que não somos trezentas. Somos uma só.

 

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