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Encrespa Geral: Por que precisamos de eventos para o público negro?

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Beleza, empoderamento, representatividade e celebração – Além de um ato político, encontros e eventos de grande porte como o Encrespa Geral, apresentam importantes razões para existirem. Esses eventos se espalham pelo país e o Encrespa Geral se mostra o maior e mais promissor de todos, principalmente por estar presente em diversas capitais do Brasil e até em outros países. Mas, qual é mesmo a necessidade de eventos como esses, voltados apenas para o publico negro? Usaremos o Encrespa Geral BH, para apresentar algumas das razões para eles existirem e por que são um sucesso.

Por Sandrinha Flávia

Empoderamento e representatividade, essas palavras definem o Encrespa Geral BH realizado no último domingo no Centro Cultural Padre Eustáquio em Belo Horizonte (MG). Com o lema, Não é Só por Cabelo, o encontro proporcionou uma boa oportunidade para reflexão sobre autoaceitação, identidade, machismo, afroempreendedorismo, literatura, etc.

A combinação foi perfeita, ao som do DJ Mestre Lau, especializado em Black Music,   o ambiente  diversificado e colorido revelava a forte identidade negra em forma de tranças, dreads, black power, cachos e crespos coloridos ou não, que  se misturavam entre si, e formavam um mar de autoestima e empoderamento.

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O workshop de turbante ficou por conta da filósofa e turbanteira  Rhenata Santana que surpreendeu o público ao aparecer vestida da rainha Nefertiti, com o objetivo de mostrar a força da mulher. Na sequência a palestrante Luana Tolentino falou sobre empoderamento e representatividade, tema da rodada Encrespa Geral debatido em todas as cidades da rede. Luana ressaltou que o Encrespa é parte de toda uma tradição de lutas pelo reconhecimento e pelo protagonismo da comunidade negra. “O Encrespa é beleza, é empoderamento, é celebração. Mas, não podemos perder de vista que também é um ato político. Ao nos reunirmos, estamos dizendo que não aceitamos mais os estereótipos que visam a desqualificação de crianças, homens e mulheres negros. Dizemos que não aceitamos o discurso da democracia racial. Dizemos ainda que temos consciência de que o racismo é fator primordial para o estado de exclusão e segregação no qual ainda vive a população negra desse país”, explicou a palestrante.

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Por meio de uma intervenção artística, “Corpo Fala” a bailarina Suellen Sampaio trouxe uma reflexão sobre a importância que o corpo negro tem em toda a sua trajetória histórica. Já a jornalista Etiene Martins apresentou dicas de literatura para interessados em  aprofundar na temática negra.

Um dos momentos mais emocionantes do Encrespa, foi o BC (Grande Corte). A modelo escolhida Taciane Cristina optou por raspar todo cabelo ao vivo. A história de Taciane emocionou o público, “Eu usava o meu cabelo natural há 6 anos, um dia fui para a casa da minha mãe e resolvi hidratar o cabelo com os produtos dela. Passei o produto e coloquei uma touca fiquei quarenta minutos com o produto no cabelo, quando tirei, descobri que a máscara estava misturada a um produto para alisar, meu cabelo apodreceu” disse Luana. No palco, ela foi ovacionada e arrancou muitas lágrimas do público.

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O Encrespa também é o lugar de falar sobre as pautas machismo e LGBT. O ator Evandro Nunes falou sobre as formas como o machismo se manifesta em nossa sociedade e chamou a atenção para canções do nosso cotidiano que reforçam o machismo. Já o casal Rosane e Iara Pires Viana exibiu um pequeno trecho do documentário “Encontro das Águas”, o filme mostra a jornada dessas duas mulheres negras belo-horizontinas, durante os preparativos do casamento delas. O documentário levanta um importante debate sobre gênero, raça, sexualidade e religiosidade de matriz africana.

Nas salas do Centro Cultural foram realizadas duas oficinas. O Encrespa Kids reuniu cerca de 20 crianças que assistiram ao espetáculo, “Nossas Histórias, um pote de Ouro” com os atores João Lucas, Raisla Maria e Denilson Tourinho. A blogueira Maressa Sousa reuniu cerca de 15 mulheres para a oficina, “Estética Negra, Saberes e Oralidades”.

As duas atrações musicais ficaram por conta de Milena Torres que levou toda sua ancestralidade e identidade negra para o palco e Master Drago que encerrou o evento com o show autoral intitulado Sonhos.

A tarde transcorreu com a feira afroempreendedora que recebeu 30 expositores, além de  espaço de beleza Todo Black é Power com tranças, design de sobrancelha, maquiagem e massagens para os pés e estande da Loreal destacando o lançamento da linha Hidra Poo da Garnier Fructs.

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O Encrespa Geral BH recebeu um público antenado, curioso e participativo. Universitários, pesquisadores, caravanas das cidades de Divinópolis, Esmeraldas, Ibirité e Governador Valadares, participantes do Rio de Janeiro e São Paulo. Recebemos também, representantes do Haiti, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, além de adolescentes que cumprem medidas sócioeducativas acompanhados de psicólogas e agentes sócioeducativos.

 

Conheça o Instituto Encrespa Geral

Tudo começou em 2013, quando a blogueira Eliane Serafim, idealizadora do projeto resolveu e decidiu conhecer pessoalmente as suas seguidoras. Ao divulgar o evento, pessoas de outras cidades acharam a ideia interessante e pediram permissão para realizar também em suas cidades, rapidamente o movimento se espalhou pelo Brasil como explica Serafim, “A organização desse movimento, a partir das redes sociais, possibilitou um crescimento muito grande e rápido. Discutir, mostrar e valorizar as nossas raízes culturais africanas, a  estética afro-brasileira e a posição do negro na sociedade são os nossos principais objetivos. Com o lema, “Não é só por cabelo”, queremos uma sociedade mais inclusiva e tolerante, que aceite a si mesmo e ao outro”, ressalta Serafim.

Em 2015 o projeto se tornou  Instituto de Promoção Humana, Desenvolvimento Social e Cultural Encrespa Geral e atua em 17 cidades brasileiras e 5 países. O intuito é ampliar ainda mais este projeto, que é de resgate cultural, histórico e social. Em Belo Horizonte as organizadoras do evento são as afroempreendedoras Dandara Elias, Danny Sousa e Sandrinha Flávia.

Se o texto não foi suficiente para você entender a necessidade de termos eventos como esse realizados em todo Brasil, quem sabe essas fotos poderão te convencer.

Já estamos todos ansiosos por 2017!!

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