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Empresário negro sofre ataque racista em supermercado

Nesta semana, um empresário fazia compras em um supermercado, quando uma mulher que estava à sua frente na fila armou a maior confusão e o acusou de uma série de coisas, apenas por ele ser negro. Gostaria muito que as pessoas que insistem em dizer que racismo não existe, me explicassem o que passa pela cabeça de uma pessoa ao xingar a outra e a acusar de crime, sem ela ter feito nada. Vamos aos fatos.

Na noite do último sábado, dia 22 de abril, o empresário, que prefere não ter seu nome divulgado, foi fazer compras em um supermercado na zona norte da cidade de São Paulo enquanto sua mulher e filho esperavam no carro. Na fila, foi acusado pela mulher que estava à sua frente por ter batido com o carrinho na perna dela. Mesmo vendo que não tinha feito aquilo, pediu desculpas com a intenção de evitar confusões desnecessárias. Ela continuou o acusando e ele pediu desculpas novamente. Neste momento aquela mulher, branca e de classe média, começa seu primeiro insulto “Além de preto é corinthiano”. Todos por perto começam a reparar no que estava acontecendo e ela continuou, chamando-o de “macaco”, “preto” e “filho da p**”. As pessoas começam a gritar para ela parar, porque aquilo era racismo e ela não pára. O gerente apareceu e perguntou ao empresário se ele gostaria de chamar a polícia: primeiramente ele disse que não, porque não gostaria de estragar seu sábado, mas com a sucessão de xingamentos, resolveu ligar para o 190.

A vítima resolve ir até o estacionamento avisar sua esposa sobre o que estava acontecendo. Quando volta, o segurança lhe avisa que a mulher havia fugido e se oferece para ir com ele atrás dela. Em entrevista ao site R7, ele explica “Eu fui atrás dela na rua com o segurança do mercado e apareceram duas motos da Polícia Militar. Eu e o segurança informamos o ocorrido. Um dos polícias virou para mim, me mediu de cima até embaixo e perguntou ‘você tem certeza que ela fez alguma coisa para você?’. O segurança do supermercado disse para o policial ‘sim, ele sofreu racismo, ela chamou ele de preto e filho da p***, vocês como estão vestindo essa farda têm que ir atrás dessa mulher e colocar ela na cadeia. Vocês tem que ajudar ele’, os polícias da moto foram junto comigo e entraram numa rua à esquerda, onde a mulher não estava, eu continuei indo até a rua seguinte e localizei a mulher. Daí eu chamei os policiais de moto, fiz gestos para eles, porém, não me deram atenção e foram embora”.

O terror da noite não acaba por aí. Ele explica que continuou seguindo a mulher para que ela se entregasse à polícia, quando ela percebeu disse a duas pessoas que estavam passando que ele estava tentando assaltá-la. As pessoas acreditaram! Então ele se aproximou e explicou o que estava acontecendo, então, aquelas mesmas pessoas o apoiaram. A mulher entrou no seu prédio, fechou o portão e continuou xingando-o. Dizia ao porteiro “Olha esse macaco, olha esse preto, tira ele daqui”, quando ele resolve novamente chamar a polícia e informar o endereço em que a encontrou. Sua mulher e seu filho chegam de carro e juntos aguardam a polícia, que informou que não havia viaturas na região naquele momento. Depois de 10 minutos, ele liga de novo para reclamar e é abordado por uma mulher em um SUV Tucson que disse ser a irmã da mulher que o agrediu verbalmente. Ela contou que o nome da agressora é Celi Oliveri e que sofre de problemas psiquiátricos e pediu que ele desistisse de prestar queixa contra ela. Ele disse que não desistiria, então ela respondeu que se veriam na justiça e passou os dados da irmã à esposa dele. Depois de quase 1h do início do acontecido, a polícia não havia chego ao local informado.

O caso, que naquele dia acabou sem o desfecho merecido, está sendo levado à justiça. Porém, o abalo psíquico e emocional que o empresário e seus familiares sofreram não podem ser reparados. O racismo existe e está aí todos os dias para que humilhem negros e duvidem da sua palavra até mesmo quando fazem uma denúncia. Força à vítima, à família e a todos nós que passamos por situações como esta.

 

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