Dança

Diário de Viagem: Ainda no RJ nossa bailarina faz sua oitava parada

O Rio de Janeiro quando se trata de disponibilidade de conhecimento sobre cultura afro é bem diferente de onde venho, Porto Alegre. Todos os dias há aulas de dança afro disponíveis na cidade e, por isso, também a expectativa em relação a qualidade das aulas aumenta.

Fui para a aula da professora Valéria Monã com uma expectativa alta, pois já conhecia a fama e o currículo dela. Ainda assim fiquei enormemente surpresa. Fiquei surpresa principalmente com a força que a personalidade dela passa e que se traduz na sua dança e na forma com que conduz a aula.

CHAMADA - Valéria MonãA professora Valéria Monã é também bailarina, coreógrafa e atriz. Foi aluna de personalidades como Gil Moreno, Edejô Ewarê e Sheriff e coreografa do Jongo da Serrinha, além de integrar a equipe coreográfica do espetáculo “Orixás” da companhia Rubens Barbo. Seu trabalho parte do processo de consciencialização obtido através da expressão corporal negra, repassando noções das danças africanas, além da dança dos orixás. Participou de companhias importantes como a Companhia de Dança Afro Onijo Olokum e Balé Afro Primitivo do Rio de Janeiro. No teatro fez parte da Companhia dos Comuns e no cinema teve atuação no longa Cafundó.

Atualmente, desenvolve workshops pelo Brasil através do Palco Giratório do SESC e dá aulas regulares no espaço Rampa, onde eu fiz.

A aula foi uma homenagem a orixá Yansã, com movimentos e toque de percussão (ao vivo) direcionados a ela. Foi trabalhada coordenação motora e espacial, com repetição de giros e movimentos diagonais. Como característica marcante da dança afro, a professora reforçou a necessidade de se dançar com o pé inteiro no chão.

A última aula do mês dela no espaço Rampa é sempre aberta, podendo acontecer em uma segunda ou quarta-feira. A aula aberta que participei foi incrível também porque, enquanto dançávamos, uma moça entrou falando alto e pisoteando forte de salto e vestido vermelhos. Depois vim saber que se tratava de uma performance da atriz Débora Almeida. E a encenação era parte do livro que deu origem a peça Sete Ventos, com texto, encenação, interpretação, pesquisa e produção impecáveis de Débora.

Ao final da aula, a professora Valéria falou sobre questões da atualidade ligadas a cultura e pessoas negras (racismo, comunidade, religião). Isso me marcou pela percepção da responsabilidade cultural e social que a professora tem ao ensinar a dança afro.

Sobre Débora Almeida

Débora Almeida é pós-graduada em Arteterapia em Educação e Saúde, além de atriz, escritora, produtora cultural, professora de teatro e aluna de Valéria.

A peça e o livro Sete Ventos

Livro Débora

Monólogo baseado em depoimentos de mulheres negras e Iansã.
A história contada é a da personagem Bárbara, uma escritora negra, filha de Iansã, que, junto ao público conta e revive as histórias das mulheres que a influenciaram. Através dos relatos de Bárbara, que expõe suas dúvidas e o seu processo de crescimento baseado em uma educação que sempre privilegiou a referência à sua ancestralidade negra, mostramos a história do próprio negro brasileiro que tenta reconstruir sua história e sua identidade cercado pelas contradições do seu cotidiano. Aqui, a figura da atriz funciona como a figura do griot, personalidade tradicional da oralidade africana, símbolo representativo de todos os narradores, sábios, avós, mães e todos os demais personagens cênicos, que, nas sociedades africanas, são depositários de histórias, de testemunhos ou tradições.
Mais informações em: http://seteventosespetaculo.blogspot.com

Serviço

As aulas da professora Valéria Monã acontecem no Espaço Rampa.

Rua Sá Ferreira, 202 – Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

Segundas e quartas

Das 19h às 20h

Mais informações em: http://coparampa.com.br/aulas-regulares/danca-afro/

 

Perfil Camila CamargoCamila Camargo é negra e bailarina, aspirante a produtora cultural e a percussionista. É formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM-Sul e especializada em Design Estratégico pela UNISINOS em Porto Alegre. Está sempre buscando as melhores experiências que o mundo pode proporcionar e os aprendizados que elas trazem. Muito ligada à espiritualidade, tem como intenção de vida criar movimentos de conexão.

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