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Desemprego é maior para negros

Os dados da última PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) parecem ter surpreendido por mostrar que o desemprego é maior entre ‘pretos’ e ‘pardos’ segundo o IBGE. Quando falamos de racismo estrutural e todos os impactos que as relações de poder imputam ao que denominamos como relações raciais parece que é tudo muito subjetivo, que são vivências muito pessoais, que alguns negros sofrem racismo e outros não. Pois eis que um resultado do maior instituto de pesquisa brasileiro mostra estatisticamente a todos, o que sabemos há muito tempo no nosso dia a dia.

As oportunidades são distribuídas de forma desigual de acordo com a cor, o gênero, a idade e outros fatores. A pesquisa em questão mostrou que a taxa de desocupação no Brasil no último trimestre de 2016 para as pessoas que se consideram de cor preta foi de 14,4% e para os que se consideram pardos foi de 14,1%. Em contrapartida, para as pessoas que se consideram brancas, a taxa de desocupação no mesmo trimestre foi de 9,5%. Como média, o país tem uma taxa de desocupação de 12,0%. É sempre bom investigarmos o que as médias omitem.

Em termos de média de salários, o “brasileiro” recebe em média R$2043 por mês. Se separarmos os dados, brancos recebem em média R$2660, enquanto pretos recebem R$1461 e pardos recebem R$1480. Esses dados mostram que a questão não é somente o desemprego, mas também como os empregos são distribuídos. Esse recorte ainda omite as desigualdades entre homens e mulheres, já que o desemprego é maior entre mulheres e entre diferentes faixas etárias, sendo que os jovens têm mais dificuldades para estar empregados, principalmente se contarmos os empregos formais.

Se a base dessa desigualdade é histórica, sabemos o quanto as atitudes atuais que se referem às ações afirmativas e outras formas que possam diminuir desigualdades são importantes. O empregador de hoje pode não ter “culpa” da escravidão que ocorreu nesse país por 4 séculos, mas ele é responsável por priorizar em suas contratações grupos que foram historicamente injustiçados e não reforçar privilégios. Além disso, todos somos responsáveis por garantir que não haja retrocessos quanto às políticas de cotas em instituições de ensinos e concursos públicos. Saber das estatísticas não é o suficiente. É preciso que a sociedade brasileira como um todo se posicione pelo fim dos privilégios de certos grupos e, consequentemente, por uma igualdade de oportunidades.

 

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