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A exclusão da criança negra

Foto: Reprodução

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A repercussão de uma foto, nos últimos dias, veio como uma chicoteada das mãos do feitor. Senzala e Casa Grande foram retratados na semiótica de um registro. Crianças brancas de um lado, criança negra de outro.

O registro não foi feito nos EUA onde, apesar da segregação legal ter acabado há mais de 50 anos, americanos de raças diferentes, em muitas partes do país, não frequentam os mesmos espaços.

O retrato foi feito na Província de Gauteng, África do Sul. Sim, existem sul-africanos brancos. Mas não se pode negar que a condição de vida de muitos brancos ainda é superior à dos negros. Afinal, os direitos chegaram tarde: o voto só foi permitido aos sul-africanos negros em abril de 1994, quando sul-africanos brancos já exerciam a democracia pela vigésima sétima vez.

Na foto, uma menina negra de apenas 1 ano e 7 meses lancha sozinha em uma mesa, enquanto as crianças brancas estão acomodadas em outra. A verdade é que a imagem não se resume a isso. Enquanto os meninos e meninas de pele clara sorriem para a foto, a menininha negra aparenta tristeza.

O comportamento dos pequenos reflete o quanto a prática racista é formativa. Infelizmente, crianças reproduzem ações e discursos problemáticos, o que configura os rastros deixados pelo sistema escravocrata.

A culpa, no entanto, não se dispensa sobre pessoas tão pequenas. Segundo Cavalleiro, cada indivíduo socializado em nossa cultura pode internalizar representações preconceituosas a respeito de um grupo, sem perceber isso, ou acreditando ser o correto.

A responsabilidade, nesse caso, no entanto, também é do ambiente educacional. As instituições, no plano das discriminações, segundo Castro e Abramovay, podem ser espaço de reprodução de racismo, tornando difícil o desenvolvimento educacional e social de crianças negras. Portanto, é também papel da escola mediar as relações que se interpelam dentro dela.

Infelizmente, não se pode culpar o sul-africano branco de hoje pelo que fez o sul-africano branco de ontem, conforme cita Fanon, sobre os descendentes dos mercadores de escravizados ou dos senhores não terem culpa pelas transgressões e desumanidades provocadas por seus antepassados. No entanto, têm responsabilidade moral e política de combater o racismo, construindo relações raciais e sociais respeitosas.

A filha de Mosinyi Wanatsha, que não mais estuda na pré-escola onde o fato aconteceu, infelizmente não foi a única criança negra a sofrer racismo antes mesmo de entender o teor histórico da palavra. O caso registrado por câmeras nos permite lembrar das raízes que um sistema desumano criou, a ponto de tornar natural a exclusão de alguém, simplesmente pela cor da pele.

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