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43 anos da morte de Solano Trindade

Foto: Reprodução

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Não chorou: declamou lágrimas. Já veio ao mundo poeta. Pudera! Sua mãe, quituteira e operária, vivia a pedir que o filho lesse. Seu pai, sapateiro, era um pé-de-Pastoril. Ora, se pode ser pé de valsa, por que não de Pastoril? Ou, quem sabe, de Bumba-meu-boi. Ah, o Brasil é mesmo diverso. Toda essa diversidade só podia transformar Solano em poeta.

Seus avós foram queimados pelo sol da África. Sua alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs. Talvez, por isso, tenha se tornado quase um griot. Fundou o Centro Cultural Afro-Brasileiro. Honrou quem veio de Luanda, como mercadoria de baixo preço. Simplesmente para plantar cana para o senhor do engenho. Mas a poesia de Solano não podia se esquecer. Tinha tempestade e tinha resistência. Esses mesmos que sofreram, fundaram o primeiro Maracatu.

Eram fortes. O homem das palavras quis ser como os avós. Criou grupo de arte popular. Era hora de brigar como quem brigava com um danado nas terras de Zumbi. O danado era seu avô. Valente. Era na capoeira ou na faca. Mas, ora, não só seu avô era forte. A vovó também era ligeira. Lutou na guerra dos Malês. Guerreira!

Disso tudo, sobrou a alma de Solano Trindade. Samba. Batuque. Bamboleio. A cor da sua pele o queria fazer livre. Não só a ele. A todos queria liberdade. Mudou para Belo Horizonte, depois para o Rio Grande do Sul. Não fez diferença só no Recife, onde nasceu. No Rio, fundou o Teatro Experimental do Negro. Fez também parte da história de São Paulo: fundou um centro de arte popular em Embu.

Publicou cinco livros e uma peça de poemas inéditos. Soou resistência. Bradou força. Cantou sabedoria. Deixou esperança ao povo negro. Pregou união de brancos e negros na luta pelo fim do racismo. Suas palavras foram eternizadas. Sua vida também. Disse adeus às métricas dos poemas e às rimas da vida. Solano Trindade vive em cada negro que faz da vida poesia. 

 

 

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