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112 anos da morte do “Tigre da Abolição”, José do Patrocínio

Foto: Reprodução

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“Tigre da Abolição”, chamaram-no. Filho de uma escrava alforriada e de um padre. O nome do pai a história conta, mas não o nome da mãe. José do Patrocínio era senhor por herança paterna, escravo por herança materna.

Nasceu em Campos, mas aos 14 anos foi para o Rio de Janeiro. Ingressou na Escola de Medicina, mas decidiu servir de outra maneira. Servente de pedreiro na Santa Casa de Misericórdia, José pagava os estudos com o dinheiro que ganhava. Formou-se em farmácia.

O amor, no entanto, só se encontrou pelas palavras. Proferidas ou não. “Os Ferrões”, jornal satírico, foi a porta de entrada para quem seria uma das maiores inspirações do jornalismo brasileiro.

O filho de uma escrava, senhor de um texto encantador e mercador de um discurso requintado, fundou seu próprio diário, a “Gazeta da Tarde”, onde deu início à campanha abolicionista. Mais tarde, com André Rebouças, fundou uma confederação para unir aqueles que defendiam o abolicionismo. Revolução. Mas não era daqueles que militava sem vivência. O tigre era realmente feroz: colaborou para a fuga de vários negros escravizados.

Depois da Lei Áurea, cuja princesa Isabel precisou apenas de tinta para assinar, a campanha liderada por José do Patrocínio durante dez anos teve fim. Sua devoção à princesa lhe rendeu perseguições. Na época de “Cidade do Rio”, seu novo jornal, Patrocínio foi acusado de “isabelista”, pessoa que defendia a monarquia quando o movimento republicano tomava conta do Brasil.

Demorou a aderir à República. Tarde demais. Após acusação de revolta contra o governo de Floriano Peixoto, foi exilado em Cucuí, Amazonas. Anos depois, voltou ao Rio, mas seu jornal foi fechado por ordem do marechal. Tornou-se suburbano.

Se dedicou, nos últimos tempos de vida, à navegação aérea. Construiu o aeróstato Santa Cruz. Mas cruz mesmo foi a que José do Patrocínio carregou em seus últimos dias: a dor do anonimato para quem outrora fora o grande Tigre.

Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, no dia 29 de janeiro de 1905 em Inhaúma (RJ), José do Patrocínio, dentro de seu modesto barracão, deu seu último suspiro, enquanto fazia o que lhe movia as garras: escrever.

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